in Invenção de Orfeu – Canto I
Quem te fez assim soturno
quieto reino mineral,
escondido chão noturno?
Que bico rói o teu mal?
Quem antes dos sete dias
te argamassou em seu gral?
Quem te apontou pra onde irias?
Quem te confiou morte e guerra?
Quem te deu ouro e agonias?
Quem em teu seio de terra
infundiu a destruição?
Quem com lavas em ti berra?
Quem te fez do céu o chão
Quieto reino mineral?
Quem te pôs tão taciturno?
Que gênio fez por seu turno
antes do mundo nascer:
a criação do metal,
a danação do poder?
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Uma educação pela pedra: por lições;
Para aprender da pedra, frequentá-la;
Captar sua voz inenfática, impessoal
(pela de dicção ela começa as aulas).
A lição de moral, sua resistência fria
Ao que flui e a fluir, a ser maleada;
A de poética, sua carnadura concreta;
A de economia, seu adensar-se compacta:
Lições da pedra (de fora para dentro,
Cartilha muda), para quem soletrá-la.
Outra educação pela pedra: no Sertão
(de dentro para fora, e pré-didática).
No Sertão a pedra não sabe lecionar,
E se lecionasse, não ensinaria nada;
Lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
Uma pedra de nascença, entranha a alma.
Morrer não deveria ser tão agônico quanto nascer
talvez seja como abortar a existência entre dois pontos de inexistência
a Estrela Negra dentro do Buraco Negro
brilhando com sua luz cinza-prateada
com um ponto azul
ou um peixe abissal disfarçado de canção
o momento em que perdemos nossa consciência
se confunde com a liberdade
minha palavra favorita era ‘ agir’
antes que a música silenciosa fosse interrompida
pensei em escorregar por dentro
é possível criar algo em um local, em um ponto
que dissolva um poder infinito
como o seu
Ele disse para ela
enquanto ela tentava explicar a teoria dos fractais
‘ Eu sou uma realidade desconhecida’
ele ouviu sua própria voz cantar
como a ideia de uma luz caindo
por dentro dos ossos
o espaço que você ocupava era como uma espécie de céu
transparente entre uma pessoa e outra
disse o som da sua voz separado do seu rosto
se expandindo
entre espessuras de luz bicadas por pássaros
vou por teu corpo como por um rio
por tua forma como por um bosque
começamos nesse repentino abismo
não há nada diante de mim
apenas um instante que não se move
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