
in E muitos os caminhos
Dar o mote ao amor. Glosar o tema
tantas vezes que assuste o pensamento.
Se for antigo, seja. Mas é belo
e como a arte: nem útil nem moral.
Que me interessa que seja por soneto
em vez de verso ou linha devastada?
O soneto é antigo? Pois que seja:
também o mundo é e ainda existe.
Só não vejo vantagens pela rima.
Dir-me-ão que é limite: deixa ser.
Se me dobro demais por ser mulher
(esta rimou, mas foi só por acaso)
Se me dobro demais, dizia eu,
não consigo falar-me como devo,
ou seja, na mentira que é o verso,
ou seja, na mentira do que mostro.
E se é soneto coxo, não faz mal.
E se não tem tercetos, paciência:
dar o mote ao amor, glosar o tema,
e depois desviar. Isso é ciência!
- Autor: Ana Luísa Amaral • Deixe seu comentário
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Que pássaro é este que pousou na janela
e me olha estático
esquecido das asas?
— Não sabe que é noite?
Que a cúpula do céu nos ignora
(embora a lua).
Que os pássaros dormem
o sono invisível
dos pássaros?
Espelho — me reflete a vidraça.
Então sou eu
este pássaro mudo, este pássaro trágico
este pássaro?
- Autor: Nydia Bonetti • Deixe seu comentário
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