Da casinha, em que vive, o reboco alvacento
Reflete o ribeirão na água clara e sonora.
Este é o ninho feliz e obscuro em que ela mora;
Além, o seu quintal, este, o seu aposento.
Vem do campo, a correr; e úmida do relento,
Toda ela, fresca do ar, tanto aroma evapora
Que parece trazer consigo, lá de fora,
Na desordem da roupa e do cabelo, o vento...
E senta-se. Compõe as roupas. Olha em torno
Com seus olhos azuis onde a inocência bóia;
Nessa meia penumbra e nesse ambiente morno,
Pegando da costura à luz da clarabóia,
Põe na ponta do dedo em feitio de adorno,
O seu lindo dedal com pretensão de jóia.
- Autor: Francisca Júlia • Deixe seu comentário
- Compartilhe: Twitter, Facebook, Delicious, Digg, Reddit
ofereço versos de sonoras
magrezas
(fragmentos desprendidos
pela maturidade dos rios)
a todos que ousaram
repartir o calor do pão
quis o cântico
das marés noturnas
,
o lume do mineral
cristalino
,
os seios mornos do
primeiro amor
quis a peixeira do
meu avô
para rasgar em praça pública
a carniça do medo
(sob o olhar do povo em festa)
- Autor: Mario Cezar • Deixe seu comentário
- Compartilhe: Twitter, Facebook, Delicious, Digg, Reddit
Adivinho nos planos da consciência
dois arcanjos lutando com esferas e pensamentos
mundo de planetas em fogo
vertigem
desequilíbrio de forças,
matéria em convulsão ardendo pra se definir.
Ó alma que não conhece todas as suas possibilidades,
o mundo ainda é pequeno pra te encher.
Abala as colunas da realidade,
desperta os ritmos que estão dormindo.
À guerra! Olha os arcanjos se esfacelando!
Um dia a morte devolverá meu corpo,
minha cabeça devolverá meus pensamentos ruins
meus olhos verão a luz da perfeição
e não haverá mais tempo.
- Autor: Murilo Mendes • Deixe seu comentário
- Compartilhe: Twitter, Facebook, Delicious, Digg, Reddit




