Ligue-me quando quiser,
quando o desejo surgir como um vento espontâneo,
não como quem cumpre uma obrigação,
pois nada seria mais cruel para você ou para mim.
Às vezes imagino quão sublime seria
se você me chamasse sem motivo,
como quem, com sede, busca a pureza de um copo d’água.
Mas sei que pedir isso seria um excesso,
pois jamais esperaria de você
a encenação de uma sede que não arde em sua alma.
- Autor: José Saramago • Deixe seu comentário
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Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.
Não queiras, não perguntes, não esperes.
Isto que passa como vida e tu
medes em dias, horas e minutos,
ou como tempo passa e vais medindo
em rugas e lembranças e em sombrias
e plácidas visões de coisa alguma,
às vezes sorridentes, mas sombrias;
sim: isto, a que dás nomes, que separas
do resto em que surgiu, de que surgiu;
isto, que já não queres, não interrogas,
de que já nada esperas, mas que queres,
porque perguntas sempre, e por que esperas;
isto, que já não és tu, nem vai contigo,
nem fica quando vais; em que não pensas,
porque ao medir apenas medes e
nada mais fazes que medir — só isto,
apenas isto, isto unicamente:
não queiras, não perguntes, não esperes,
que o pouco ou muito é tudo o que te resta.
- Autor: Jorge de Sena • Deixe seu comentário
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- Autor: Adélia Prado • Deixe seu comentário
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