Este lugar é outro.
Balançam bambus ao vento
as tranças desiguais.
Ninguém responde às minhas palmas.
Onde o cão habitual
farejando o imprevisto?
Atenho-me às plantas, ao fundo do quintal
com suas raízes.
Tem sede, não chamam.
Com o cansaço da tarde, vou olhando:
cancelas arruinadas,
um carrinho tombado, vertendo terra mais escura;
um jarro de esmalte branco, antigo,
entre outras coisas
muito abandonadas
Há marcas na terra seca e solta,
marcas de briquedo:
tampinhas de garrafa e um aro em meia-lua
de metal prateado.
Vejo o que há de irregular e errático
na menor alegria.
Sento-me num banco debaixo da ameixeira.
É um banco pequeno, incômodo,
um banco de criança.
O que fazer?
Já bati palmas, feri o silêncio
deste recanto calmo.
Balançam bambus ao vento
as tranças desiguais.
Este lugar é outro.


