A lua gira em vão
Em minha mão
O dia e a noite
Se encontraram
E o ângulo aberto melhor que uma boca
Meus pensamentos tragaram
A lua moinho de vento
Gira gira gira em vão
A paisagem no fundo das idades
E em sua jaula o tanque
Em vão tu buscas
Árvore de outono
Já não há pássaros
Já não há pássaros
Olhando sobre os vales
Por todos os lados podemos ver os sons de sinos murchos
O dia também está cheio de minhas mãos
Ao outro extremo se foram
Os passos sem ruído
É O OUTONO DOS CAMPANÁRIOS
Já não sei de morena ou ruiva
Deixemos o lugar aos marinheiros
Eles vêm olhar em minhas ilhas
A natureza morta do claro de lua
Com sossego à margem da água
E a rosa desfolhando-se sobre o pássaro que canta
À meia-noite e quarenta minutos
Esquece-me
Pequeno astro oculto
A esta hora embalsamo meu bosque
Esquece-me
Piloto sem navio e sem lei
Ao fundo de meus olhos
Cantará sempre o poeta afogado
- Autor: Vicente Huidobro • Deixe seu comentário
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