O tempo fechou. Faz frio.
(Os dias todos não podem ser de sol).
Arrasto meu esqueleto tardio porta afora
até o nicho mais furtivo
da indolência,
e sou um bicho
-solitário,
arisco,
sem remédio.
É tudo um risco:
sentar-me aqui, com o hibisco
roxo e ríspido, a perfurar o céu
ou molemente divagar
perto do lago.
Imagem ou Imago,
tanto faz.
Já não me comovem tais assédios.
De início,
quando o mundo ainda era nítido
-e tudo se quedava oferto,
explícito –
a solidez das coisas me enredava.
Mas fui confundindo o fio
com a meada
e agora o panorama é um tanto pífio.
Agora não há brilho que me cegue.
Nem mesmo minha sombra me persegue
se todo passo dá no precipício.


