Alguns viajam: vão a Nova York,
a Santiago do Chile.
Outros ficam mesmo na rua da Alfândega,
detrás de balcões e de guichês.
Vista do alto, com seus bairros e ruas e avenidas,
a cidade é o refúgio do homem,
pertence a todos e a ninguém.
São pessoas que passam sem falar
e estão cheias de vozes
e ruínas.
És Antonio?
És Francisco?
És Mariana?
Onde escondeste o verde clarão dos dias?
E passamos carregados de flores sufocadas.
Mas, dentro, no coração, eu sei, a vida bate.
Em Caracas, no Harlem, em Nova Delhi,
sob as penas da lei,
em teu pulso,
a vida bate.
E é essa clandestina esperança,
misturada ao sal do mar,
que me sustenta esta tarde,
debruçado à janela de meu quarto em Ipanema,
na América Latina.
- Autor: Ferreira Gullar • Deixe seu comentário
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